terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Primavera


Quando a primavera chegar,
Quero ver nascer a paixão.
Sua boca poder beijar,
Deitados nós dois no chão.
Nos amarmos por entre as flores,
Tão bonitas e dengosas.
Flores de todas as cores,
Que parecem preguiçosas como nós dois.
Fazendo bem devagarinho,
Nunca deixando pra depois.

Nosso eterno carinho,
Começa pelo cheiro de seus loiros cabelos,
E exala pelo seu corpo inteiro.
Atendendo a meus apelos,
Que parecem de dor e me faz chorar,
Você me deixou ser seu amor.

(Ricardo S. de Carvalho - 08.10.1986)

Loirinha mimosa


Fonte luminosa,
Meu recanto de lazer.
Loirinha mimosa,
Minha sede de prazer.

Fruta saborosa,
meu pomar doce mel,
Loirinha mimosa,
Infinito do meu céu.

Gatinha dengosa,
Minha paz, meu coração.
Loirinha mimosa,
Minha volúpia de paixão.


Pedra preciosa,
minha mina de riqueza.
Loirinha mimosa,
No meu reino és princesa.

Pétala fogosa,
Meu canteiro, minha flor.
Loirinha mimosa,
Você é o meu amor.

(Ricardo S. de Carvalho - 09.04.1990)

domingo, 11 de dezembro de 2011

O ilustre desconhecido

Você é alguém que eu fiz,
Você é sangue do meu sangue,
Você é brilho que eu nunca vi,
Você é a voz que nunca ouvi,
Você é um feto ou desafeto.
Você é o ilustre desconhecido.
Você é isto que sou,
Você é aquilo que fui,
Você é o calor que nunca senti,
Você é a água que nunca provei,
Você é o início e o fim.
Você é o ilustre desconhecido.

(Ricardo S. de Carvalho - 13/10/1987)

Solidão

Nasce outro dia, 
Levanto da minha cama
E olho para o quarto escuro.
Sinto a friagem percorrendo
Minhas pernas até o pescoço
E noto que você
Não está mais aqui comigo.

Você se foi,
Foi embora para outro lugar.
Você se foi sem dizer adeus,
Sem nem dar um beijo
Nem ao menos um tchau.


Na parede da sala,
Ainda está um quadro com sua foto.
Porém, a tela me faz sentir uma dor no peito,
e meu coração começa a pulsar acelerado.

Você se foi,
Foi embora para outro lugar.
Você se foi sem dizer adeus,
Sem nem dar um beijo
Nem ao menos um tchau.

Não consigo conter as lágrimas
Que escorrem dos meus olhos,
Que ardem quando abro as janelas,
E o Sol, a me castigar, neles penetram.


Você se foi,
Foi embora para outro lugar.
Você se foi sem dizer adeus,
Sem nem dar um beijo
Nem ao menos um tchau.


E assim os dias passam,
O vazio toma conta de mim,
Que fico perambulando ébrio pelas ruas,
Tentando achar uma maneira de dizer que te amo
E tê-la novamente em meus braços
Tão carente de você.

Mas você se foi,
Foi embora para outro lugar.
Você se foi sem dizer adeus,
Sem nem dar um beijo
Nem ao menos um tchau, um tchau.

(Ricardo S. de Carvalho - 21/08/2003)





sábado, 5 de novembro de 2011

Pequena Juventude

Sobre imensidão do mundo,
No infinito do universo,
Olhando as estrelas, cantando
E fazendo as rimas de um verso.

Flutuando na eterna das nuvens,
De mãos dadas com a mãe e com o pai,
Nos vendo apenas como miragens
E sabendo que um dia tudo se vai.

Aquilo era o sangue da plena juventude,
Que correu por entre os canos e vasos
E tudo pensou fosse plenitude,
Acabou-se no simples fechar dos olhos.

Gerações multiplicaram o salgado das lágrimas
Que escorreram de olhos vermelhos de dor,
Sobre mármores das quais são íntimas,
E confortadas pela palavra chamada amor.

O brilho da suprema força eterna
continuará a reluzir a face da figura jovial,
Acolhendo de maneira materna,
como se fosse um grande cristal.

Até que o grande reencontro chegue,
O pobre mortal, empunhado de sua espada,
Travará suas batalhas, se que se negue
As façanhas que é parte do pequeno nada.

(Ricardo S. de Carvalho - 03.07.1986)

Explicação Científica (do nosso amor)

Quando do universo
forças vibratórias
impulsionaram nossos corpos
tão potencial sozinhos.
Transformou-nos 
na cinética dos átomos,
nos levando a produzir
uma única matéria.
Matéria sólida de ponto
de fusão superior a
                                                                                                         qualquer tentativa e
                                                                                                      longe da razão humana.

                                                                                                                                                                        (Ricardo s. de Carvalho - 21.05.1985)

sábado, 10 de setembro de 2011

O frágil suicida

Hoje acordei mais cedo, 
levantei, olhei no espelho.
Meu rosto cadavérico me sorria,
me chamando de imbecil.
Meus olhos vermelhos
me diziam bom dia,
derramando algo qualquer.
Tomei o meu café
com gosto de fel.
Fumei meu cigarro
tremendo de dor,
enquanto olhava o dia sombrio,
sentindo a chuva em minha cabeça cair.
Vomitei o que havia comido,
espirrei o que havia ingerido,
ejaculei o que havia em mim.
Peguei meu revólver e beijei-o.
Municiei-o com um ponto final apenas.
Suei, divaguei em minhas lembranças,
daquela vida medíocre.
Três doses de tequila me fizeram
apertar o gatilho.
Um estampido ecoou e
minha vida levou.
Levou a vida de um frágil suicida.


(Ricardo Santos de Carvalho – 24.05.2010)



domingo, 31 de julho de 2011

O homem e o cão

"Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz."
(Milan Kundera)


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Você.....

Você.....
É só pra olhar ou pra sorver?
É só pra admirar ou pra tocar?
É só pra cheirar ou pra lamber?
É luz que reluz ou sombra na escuridão?
É real ou pura ficção?
É o néctar dos Deuses ou o fel dos demônios?
É aquela que, com sua beleza excitante, me levará ao infinito dos céus ou às profundezas do inferno?
Por favor, somente me diga quem é você.

(Ricardo S. de Carvalho - 26.07.2011)

domingo, 3 de julho de 2011

O Homem

Era uma vez
um pequeno grande homem
que ficava sentado atrás de uma escrivaninha
em uma sala medíocre
de um lugar lúgrube
olhando a correnteza de um rio
envenenado pela ambição.

No dia a dia,
trajava gravata de bolinhas amarelas
para enfeitar sua imbecilidade
de boneco de cera ambulante
e às vezes ficava sentado nú
sobre uma estante de aço.


Lá ele lia livros
sobre coisas chinesas que não entendia
enquanto o mundo girava à sua volta
na mesma pasmaceira de violência.

Lágrimas escorriam de seus olhos
quando os porcos chauvinistas
arrotavam na sua cara
palavras desconexas e sem sentido
tentando fazê-lo acreditar na mentira.

Ele sabia que era
um pequeno grande homem
sentado num jardim enfeitado
por gérberas vermelhas
e margaridas azuis.

E sob um Sol
sorridente multicor
ficava aguardando que
as "grandes pessoas" do mundo
pudessem sentir o amor que sentia.

(Ricardo S. de Carvalho - 21.08.2003)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Banda Rivers

No dia 29 de janeiro de 2010, eu e minha família estávamos chegando de mudança em Campo Grande-MS, onde eu iria trabalhar, vindo transferido do interior, onde fiquei por vinte (20) anos.
Já no mês seguinte, passamos a conhecer a noite campograndense, onde verificamos que havia um grande contingente de pessoas que, como nós, também curtia rock and roll. Achamos até estranho, porque no interior a predominância era do sertanejo. E só. Achamos que na capital não seria diferente. Mas foi.
“Descobrimos” vários grupos e seus integrantes, bem como, passamos a conhecer pessoas que também freqüentavam o grupo do rock.
Um belo dia, meu filho me pediu que levasse ele e um amigo a um posto de gasolina onde um “grupo”, tocava rock. A princípio não gostei muito da idéia, mas, já que haveria rock, levei-os. Horas depois fui buscá-los e me surpreendi, pois estavam suados e descabelados. Meu filho então me disse que “os caras” haviam tocado “Black Sabbath”, “Deep Purple”, “Kiss”, AC/DC, dentre outro ícones do rock.
Fiquei curioso.
No sábado seguinte, aconteceu novamente como descrito.
E eu curioso.
No quarto sábado resolvi convidar minha mulher e para o “postinho” nos deslocamos. Começou o som. O que vimos foi surpreendente. Foi uma loucura. Digo, com toda certeza, que foi paixão à primeira vista. Sim, lá estava a banda que meu filho havia comentado. Um furor indescritível. Uma pegada forte. Um som pesado. Era a Banda “Rivers”.
A partir daí passamos a frequentar o local todos os sábados. Não marcávamos outro compromisso naquele dia. De simples admiradores, viramos fãs. Conhecemos os membros do grupo. Que pessoas maravilhosas.
Hoje a “Rivers” voltou com sua formação original. Voltou com a família. Que família linda.
O que posso desejar a esta banda senão que brilhem no topo do estrelato e nas paradas de sucesso de País? E quando isto acontecer, podem ter certeza que estarei por aqui, como admirador, como fã e como amigo. E dá-lhe rock and roll !!!!!!!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Perdão

Me perdoa amor se te amei,
me perdoa amor se te amo.
Não sei até que ponto cheguei,
pra ter você de novo.

Me perdoa amor se errei,
me perdoa amor se erro.
Não sei o que foi que arrumei,
pra dizer que te quero.

Me perdoa amor se chorei,
me perdoa amor se choro.
Não sei porque machuquei,
pra dizer que te adoro.

Me perdoa amor se escrevi,
me perdoa amor se escrevo.
Não sei o que foi que senti,
pra escrever o que devo.

Me perdoa amor se eu fiz,
me perdoa amor se faço.
Não sei, alguma coisa me diz,
pra ter de você um novo abraço.

(Ricardo S. de Carvalho - 21.06.1988)



segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Recomeço

O recomeço nasceu de um novo começo,
que começou em um novo começar.
Talvez o recomeço seja o começo de um recomeçar.
Começar de novo é tentar de novo o que se quer no recomeço.
Recomeço o que eu quero novamente e começar pra nunca mais recomeçar.
Espero que este começo ou recomeço seja apenas o começo de um grande recomeçar.

(Ricardo S. de Carvalho - 18.04.2011)