sábado, 10 de setembro de 2011

O frágil suicida

Hoje acordei mais cedo, 
levantei, olhei no espelho.
Meu rosto cadavérico me sorria,
me chamando de imbecil.
Meus olhos vermelhos
me diziam bom dia,
derramando algo qualquer.
Tomei o meu café
com gosto de fel.
Fumei meu cigarro
tremendo de dor,
enquanto olhava o dia sombrio,
sentindo a chuva em minha cabeça cair.
Vomitei o que havia comido,
espirrei o que havia ingerido,
ejaculei o que havia em mim.
Peguei meu revólver e beijei-o.
Municiei-o com um ponto final apenas.
Suei, divaguei em minhas lembranças,
daquela vida medíocre.
Três doses de tequila me fizeram
apertar o gatilho.
Um estampido ecoou e
minha vida levou.
Levou a vida de um frágil suicida.


(Ricardo Santos de Carvalho – 24.05.2010)