Era uma vez
um pequeno grande homem
que ficava sentado atrás de uma escrivaninha
em uma sala medíocre
de um lugar lúgrube
olhando a correnteza de um rio
envenenado pela ambição.
No dia a dia,
trajava gravata de bolinhas amarelas
para enfeitar sua imbecilidade
de boneco de cera ambulante
e às vezes ficava sentado nú
sobre uma estante de aço.
Lá ele lia livros
sobre coisas chinesas que não entendia
enquanto o mundo girava à sua volta
na mesma pasmaceira de violência.
Lágrimas escorriam de seus olhos
quando os porcos chauvinistas
arrotavam na sua cara
palavras desconexas e sem sentido
tentando fazê-lo acreditar na mentira.
Ele sabia que era
um pequeno grande homem
sentado num jardim enfeitado
por gérberas vermelhas
e margaridas azuis.
E sob um Sol
sorridente multicor
ficava aguardando que
as "grandes pessoas" do mundo
pudessem sentir o amor que sentia.
(Ricardo S. de Carvalho - 21.08.2003)
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